Em 2026, o mercado de trabalho para as mulheres estará em transformação.
Mas a pergunta é simples — e incômoda:
estamos avançando na velocidade necessária?
Nos últimos anos, houve avanços importantes.
Mais mulheres em cargos de liderança.
Mais debate sobre igualdade salarial.
Mais políticas contra o assédio e por representatividade nos espaços de decisão.
Tudo isso importa. E deve ser reconhecido.
Mas o caminho está longe de ser linear — ou suficiente.
Mesmo com a Lei nº 14.611/2023, que obriga empresas com mais de 100 empregados a garantir remuneração igual para homens e mulheres na mesma função, a desigualdade persiste.
A sub-representação feminina nos cargos de alta gestão, a sobrecarga de trabalho — especialmente o trabalho de cuidado — e as barreiras invisíveis continuam sendo obstáculos reais.
A isso se somam novos desafios.
A automação, a inteligência artificial e a reorganização do trabalho tendem a afetar de forma desproporcional as mulheres, sobretudo em ocupações mais precarizadas.
Ao mesmo tempo, vemos em vários países um movimento de recuo em políticas de diversidade, inclusão e equidade.
Em 2026, não será suficiente falar em inclusão apenas no discurso.
Será crucial transformar a cultura organizacional, com ações concretas, metas, transparência e compromisso real das lideranças.
O futuro do trabalho só será verdadeiramente inclusivo se houver colaboração entre governos, empresas e sociedade, mais incentivos para a presença feminina em áreas estratégicas — como tecnologia e inovação — e decisões que garantam igualdade agora, não em um futuro distante.
Não podemos esperar mais.
O tempo da mudança é o presente — e a responsabilidade é coletiva.
Tenho dialogado com empresas, entidades e organizações sobre esses desafios e caminhos possíveis. Caso faça sentido, estou à disposição para palestras e debates sobre o futuro do trabalho, mulheres e equidade de gênero.
Rita Serrano – Presidente do DIAP. Palestrante. Ex-presidente da Caixa. Conselheira de Administração. Doutoranda em Administração. Escritora.
Ser mulher no mercado de trabalho em 2026
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