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Notícias · 13 de outubro de 2026

O que empregados e aposentados pensam sobre o futuro da Caixa

Síntese dos resultados da Pesquisa Futuro Caixa – 2026*

1.700 respondentes | 19 a 30 de agosto de 2026

Uma agenda de futuro com forte identidade pública

A Pesquisa Futuro Caixa reuniu 1.700 empregados da ativa e aposentados e revela um núcleo muito claro de expectativas sobre a instituição: preservar seu caráter público e sua função social, assegurar capacidade financeira para sustentar essa missão, avançar tecnologicamente, manter protagonismo em habitação e políticas públicas e valorizar o quadro de empregados. Os resultados também mostram que, para a maioria, função pública e competitividade não são objetivos excludentes.

Nota de leitura. Nas questões de múltipla escolha, cada participante podia selecionar mais de uma alternativa; por isso, os percentuais não somam 100%. O arquivo de resultados informa número de respondentes e período de coleta, mas não apresenta desenho amostral, ponderação ou margem de erro. Por essa razão, os dados devem ser apresentados como percepções dos participantes da consulta.

Quem respondeu

A consulta combinou a visão de quem está hoje na instituição com a experiência de quem construiu uma trajetória longa na Caixa. Os empregados da ativa representaram 60,3% dos participantes e os aposentados, 39,7%. Mais da metade dos respondentes (57,7%) tem ou teve mais de 20 anos de vínculo com a empresa, o que dá ao conjunto das respostas forte componente de experiência institucional.

  • Vínculo: 60,3% empregados da ativa e 39,7% aposentados
  • Tempo de casa: 57,7% com mais de 20 anos de vínculo, sendo 33,2% com mais de 30 anos
  • Região: 44,0% residem no Sudeste; 18,2% no Nordeste; 18,0% no Sul; 15,9% no Centro-Oeste; 3,8% no Norte
  • Gênero: 43,8% mulheres e 55,2% homens

Seis números que sintetizam a Caixa desejada para 2030

MensagemIndicador-chave
A Caixa deve permanecer pública96,7% consideram isso fundamental ou de grande importância
Habitação continua no centro da missão83,5% apontam habitação como área prioritária
Missão pública exige sustentabilidade financeira96,8% atribuem grande importância ou consideram fundamental preservar capacidade financeira
Valorização dos empregados é prioridade estratégica72,7% colocam o tema entre as cinco maiores prioridades
Tecnologia é condição para competir55,1% incluem transformação digital entre as cinco maiores prioridades
Governança deve combinar técnica e participação66,2% priorizam critérios técnicos para dirigentes; 96,1% valorizam fortemente a representação dos empregados

1. O caráter público é o ponto de maior convergência

O resultado mais expressivo da pesquisa é o apoio à manutenção da Caixa sob controle público. Para 84,3% dos respondentes, isso é fundamental, e para outros 12,4% tem grande importância. Somadas, as duas respostas alcançam 96,7%. Na escolha das cinco maiores prioridades para 2030, 91,3% indicam a manutenção da Caixa como banco público, o item mais citado da pesquisa. Quando solicitados a apontar apenas um compromisso a ser assumido pelos candidatos à Presidência da República, 64,2% escolhem manter e fortalecer a Caixa como banco público.

Gráfico da Pesquisa Futuro Caixa 2026

Fonte: Pesquisa Futuro Caixa, 2026. Questão de múltipla escolha; percentuais calculados sobre o total de respondentes.

2. Função pública e competitividade aparecem como dimensões complementares

A defesa do caráter público não se traduz em rejeição à eficiência comercial. Quase metade dos participantes (49,1%) defende equilíbrio entre função pública e atuação comercial; 26,7% preferem dar maior peso à função pública preservando a competitividade, e 18,8% defendem prioridade mais intensa à função pública e social. A opção por priorizar fortemente competitividade e resultados comerciais reúne apenas 1,0%.

Essa mesma lógica aparece nos novos negócios: 62,5% entendem que as decisões devem combinar de forma equilibrada rentabilidade, retorno econômico e social, contribuição às políticas públicas, inovação e ampliação da base de clientes. A mensagem é clara: o desafio é construir uma Caixa pública capaz de competir, inovar e gerar resultados suficientes para sustentar sua missão.

3. Habitação, desenvolvimento e políticas públicas permanecem no centro

A habitação é a área de atuação prioritária mais citada, com 83,5%, seguida por urbanização, saneamento e infraestrutura urbana (53,5%) e transferência de benefícios e programas sociais (42,3%). Na seleção das cinco prioridades gerais, 70,8% indicam habitação, infraestrutura e desenvolvimento, e 62,2% destacam o fortalecimento do papel da Caixa nas políticas públicas.

Gráfico da Pesquisa Futuro Caixa 2026

Fonte: Pesquisa Futuro Caixa, 2026. Questão de múltipla escolha; percentuais calculados sobre o total de respondentes.

4. A transformação digital é necessária, mas precisa melhorar o que já sustenta o banco

A percepção sobre a capacidade atual da Caixa de competir com bancos e fintechs é dividida: 38,7% a classificam como regular; 28,1% como alta ou muito alta; e 28,2% como baixa ou muito baixa. Isso ajuda a explicar por que investimentos em tecnologia e transformação digital aparecem entre as cinco maiores prioridades para 55,1% dos participantes.

As escolhas apontam para uma agenda tecnológica muito concreta: melhorar aplicativos e canais digitais (70,6%), reforçar segurança cibernética e proteção de dados (52,9%), modernizar sistemas internos (42,4%) e integrar melhor atendimento presencial e digital (41,8%). A inteligência artificial e a automação, isoladamente, aparecem com 13,7%, sugerindo que os participantes priorizam antes de tudo robustez, segurança e qualidade da infraestrutura digital.

Gráfico da Pesquisa Futuro Caixa 2026

Fonte: Pesquisa Futuro Caixa, 2026. Questão de múltipla escolha; percentuais calculados sobre o total de respondentes.

A digitalização também não é percebida como sinônimo de retirada territorial. Para 44,5%, a rede deve ser redimensionada gradualmente, preservando cobertura; 27,2% defendem ampla rede física; e 26,3% propõem transformar parte das unidades em atendimento especializado. Somente 1,4% defendem priorizar canais digitais com redução significativa da rede física.

5. Sustentabilidade financeira é condição para a missão pública

Para 64,6% é fundamental e para 32,2% é muito importante que a Caixa mantenha capacidade financeira para conceder crédito e executar políticas públicas. Somadas, essas respostas chegam a 96,8%. Entre os fatores decisivos para a sustentabilidade econômica estão eficiência operacional (62,6%), geração consistente de resultados (54,4%), fidelização de clientes (39,1%), tecnologia e inovação (36,4%), gestão prudente de riscos (35,7%) e diversificação de receitas e novos negócios (30,5%). Apenas 2,0% defendem transformar a Caixa em um banco totalmente voltado para o mercado.

O resultado reforça uma premissa importante para o Caixa 2030: resultado financeiro e missão pública não são objetivos opostos. A solidez econômico-financeira é o que permite sustentar capacidade de crédito, investimento e execução de políticas públicas.

6. Governança: profissionalização, autonomia e participação

Na governança, 66,2% apontam critérios técnicos para a escolha de dirigentes como medida prioritária. Em seguida aparecem maior autonomia da gestão em relação a interferências político-partidárias (57,4%), participação dos empregados nas instâncias de governança (49,0%) e maior transparência das decisões (45,3%).

A representação dos empregados recebe apoio especialmente elevado: 71,1% consideram sua presença nas estruturas de governança fundamental e 25,0% de grande importância, somando 96,1%. Os dados indicam preferência por uma governança que combine profissionalização, autonomia técnica, transparência e participação.

7. Valorização das pessoas é uma prioridade de futuro

A valorização dos empregados é a segunda prioridade mais citada para 2030, com 72,7%, atrás apenas da manutenção da Caixa como banco público. Na gestão de pessoas, saúde e qualidade de vida lideram com 59,9%, seguidas por valorização salarial (47,6%), melhoria das condições de trabalho (28,5%), formação e qualificação profissional (27,8%), plano de carreira (24,7%) e capacitação tecnológica (23,9%).

Também há posição muito clara sobre o modelo de emprego: 76,5% defendem o fortalecimento do quadro próprio por meio de contratação por concurso público; apenas 0,6% apoiam ampliação da contratação externa e da terceirização.

Gráfico da Pesquisa Futuro Caixa 2026

Fonte: Pesquisa Futuro Caixa, 2026. Questão de múltipla escolha; percentuais calculados sobre o total de respondentes.

8. Sustentabilidade deve estar ligada à atividade-fim

Na agenda ambiental e social, as prioridades também se relacionam diretamente aos negócios do banco: habitação sustentável (59,9%), financiamento de energia limpa (53,1%), saneamento (48,5%), inclusão social e financeira (42,4%) e financiamento de cidades sustentáveis (30,0%). Além disso, 55,6% defendem que critérios sociais, ambientais e climáticos sejam estratégicos nas decisões de crédito, e outros 26,2% atribuem a esses critérios peso elevado.

A leitura dos resultados aponta para uma abordagem de sustentabilidade vinculada à capacidade da Caixa de financiar investimentos e induzir desenvolvimento, e não apenas à redução dos impactos ambientais de suas próprias operações.

Uma síntese para o Caixa 2030

A pesquisa desenha uma visão relativamente coesa sobre o futuro da instituição. Os participantes querem uma Caixa pública e fortemente vinculada às políticas de desenvolvimento, mas também competitiva, tecnologicamente preparada e financeiramente sólida. Defendem a preservação de sua liderança em habitação e infraestrutura, a valorização de seus empregados, critérios técnicos de governança e uma transformação digital que combine inovação, segurança e presença territorial.

Nesse sentido, os resultados oferecem mais do que um retrato de opiniões: constituem uma base para a formulação das propostas do Caixa 2030. Eles ajudam a identificar onde estão os maiores consensos e quais temas devem ocupar posição central na agenda a ser apresentada para o próximo ciclo da instituição.

Fonte geral: Pesquisa Futuro Caixa. 2026. 1.700 respondentes. Coleta realizada de 19 a 30 de agosto de 2026.

*Pesquisa Futuro Caixa – 2026, foi uma iniciativa de Rita Serrano em conjunto com entidades de representação de Empregados e Aposentados da Caixa. A divulgação foi realizada pelas redes sociais, entre os dias 19 e 30/08.